IA na advocacia – Entrevista Gilmar e Camila

Como a Inteligência Artificial está mudando a rotina do Rocha Calderon Advogados?

Para responder a essa pergunta, conversamos com os advogados Gilmar Santos Pamponet e Camila Maria Foltran Lopes. Nesta entrevista, eles contam como a tecnologia entrou no cotidiano do trabalho jurídico, quais ganhos concretos ela trouxe e o que esperar dos próximos anos. O objetivo é mostrar como a IA já faz parte do dia a dia da banca e, principalmente, como esse uso impacta a qualidade e a agilidade do serviço entregue aos clientes.

A IA no cotidiano do escritório

Para Gilmar, a mudança vai além da inteligência artificial: foi a tecnologia como um todo que se tornou uma grande oportunidade de crescimento profissional. “Hoje, não consigo me imaginar sem ela no dia a dia”, afirma. Ele conta que delega tarefas a um, dois ou até três assistentes de IA simultaneamente, cada um com uma função específica, seja na elaboração de relatórios, na análise de dados ou na criação de agentes capazes de executar fluxos repetitivos de forma automatizada. “A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a ser uma parceira estratégica na minha rotina profissional.”

Para Camila, a IA é uma ferramenta de apoio na pesquisa, na análise e na redação de documentos, reduzindo o tempo dedicado às tarefas e liberando mais energia para a estratégia dos casos e a revisão final dos documentos. Para tarefas específicas, ela também criou agentes especializados.

Ganhos concretos de produtividade

Quando o assunto é produtividade, os dois têm exemplos práticos. Gilmar destaca a capacidade de gerenciar múltiplos projetos simultaneamente e de analisar grandes volumes de informação em pouco tempo, algo essencial em um ambiente que lida diariamente com milhares de processos. A IA também permite extrair dados estratégicos, mapear teses jurídicas e avaliar probabilidades de êxito, informações que orientam a tomada de decisão.

Camila relata o maior ganho na elaboração de peças jurídicas e na análise de editais, incluindo a preparação de propostas. “Um exemplo prático é a elaboração automática de pareceres de editais, feita por um agente e compartilhada com a equipe, além da preparação de impugnações e recursos administrativos em processos licitatórios”, diz. Em ambos os casos, todo o material passa por revisão final antes de ser utilizado.

Os desafios da adoção

Adotar a tecnologia, porém, não foi sem obstáculos. Para Gilmar, as dificuldades não foram tecnológicas, mas culturais: adaptar processos e aprender a extrair valor real da ferramenta. A superação veio aos poucos, começando por atividades simples e de baixo risco, até compreender que a IA não substitui o conhecimento humano, mas apoia a tomada de decisão. O mapeamento dos processos internos também foi fundamental para identificar oportunidades de automação e aplicar a tecnologia de forma estratégica.

Camila enfrentou um desafio semelhante: persistir, entender os limites da ferramenta e garantir a confiabilidade das informações geradas. A saída foi o aprendizado constante e o tratamento da IA como uma assistente técnica, com melhoria contínua dos prompts, revisão das minutas e validação de referências legais, jurisprudência e dados antes do uso final. “É uma assistente que precisa aprender, mas que aprende muito rápido. Por isso é importante dar bons ensinamentos”, resume.

O futuro da advocacia com IA

Olhando para frente, os dois concordam que a IA veio para ficar e que o advogado permanece no centro da decisão. Gilmar projeta que a tecnologia se consolidará como uma camada operacional da advocacia: tarefas repetitivas, operacionais e analíticas serão executadas por agentes inteligentes, enquanto o advogado concentra seus esforços em estratégia, interpretação jurídica, negociação e tomada de decisão. “A estratégia jurídica, a observância do contraditório, a análise crítica dos fatos e a conformidade ética continuarão exigindo supervisão humana qualificada. Em última análise, a decisão continuará sendo humana, porém mais informada, eficiente e fundamentada.”

Camila acredita que a IA se tornará uma aliada indispensável para aumentar a eficiência, a celeridade e o acesso aos serviços jurídicos. No relacionamento com os clientes, a tecnologia permitirá respostas mais rápidas, análises mais completas e um atendimento cada vez mais estratégico e personalizado, sem substituir a atuação humana. “A IA é uma ferramenta, e ferramentas foram feitas para facilitar a vida”, conclui, lembrando que a enxada serviu ao seu tempo até ser substituída pelo trator, e que ambas facilitaram a vida de quem as utilizou.

A conversa mostra que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano do escritório, com ganhos concretos para a equipe e, principalmente, para os clientes, que passam a contar com um serviço mais ágil, completo e fundamentado.