Uma Conversa sobre IA com Eduardo Piñera (Autojur) e Marcelo Rocha (Rocha Calderon)
A Inteligência Artificial (IA) não é mais uma promessa distante, mas uma realidade que está remodelando diversas indústrias, e o setor jurídico não é exceção. Para aprofundar o entendimento sobre essa transformação, conversamos com Eduardo Piñera, criador do Autojur– um software jurídico inovador que utiliza IA para automatizar processos em escritórios de advocacia – e Marcelo Rocha, sócio-fundador do Rocha Calderon e Advogados Associados, escritório que tem sido um pioneiro na adoção dessas tecnologias.
Nesta entrevista, exploramos como a IA redefine o panorama legal, seus impactos na qualidade do trabalho e os benefícios tangíveis para os clientes, culminando em uma visão fascinante sobre o futuro da prática jurídica.
Como a Inteligência Artificial está redefinindo o panorama dos serviços jurídicos hoje e qual o seu papel fundamental na modernização de um escritório de advocacia?
Eduardo Piñera (Autojur): Escritórios de advocacia manipulam um volume significativo de informações e as utilizam de maneira estratégica para a tomada de decisões. A Inteligência Artificial (IA) chega para atuar como um catalisador em todas as áreas do ambiente jurídico, potencializando esse trabalho. A IA está, de fato, transformando o setor ao permitir a automatização de tarefas, a integração eficiente de informações e a geração de insights estratégicos. Os escritórios que adotam essa tecnologia avançada conseguem ganhar notável agilidade, maior controle operacional e uma visão de gestão aprimorada. É exatamente isso que soluções inovadoras como o Autojur promovem: unir produtividade e inteligência em um único e integrado ambiente. Essas automações se integram à gestão do escritório, resultando na redução de erros e na ampliação do tempo disponível para a dedicação a decisões estratégicas.
Marcelo Rocha (Rocha Calderon): O Eduardo coloca de maneira muito precisa o caráter de catalisador da IA no Direito – e eu concordo com essa visão. Mas, do ponto de vista de quem está na operação diária e conduz um escritório com três décadas de prática, eu diria que a IA não apenas moderniza, ela altera a arquitetura mental do advogado. Tenho feito experiências muito positivas com grupos específicos que surpreenderam positivamente em suas respostas. Antes, trabalhávamos com análise manual, pesquisa extensiva, horas de triagem documental, tudo isso causava, além de um atraso, um esgotamento por ser cansativo. Hoje, com ferramentas como Autojur, transformamos tudo isso em fluxos inteligentes, criando agentes com rastreabilidade, padronização, histórico e, assim, nos facilita a tomada de decisão fundamentada em menos tempo e com robustez de conteúdo. Para nós, IA nunca foi tendência, é infraestrutura mesmo. Nós já sentimos o impacto na gestão, nos prazos, na qualidade argumentativa e, principalmente, na previsibilidade operacional. A tecnologia deixou de ser apoio e se tornou coluna estrutural da governança jurídica do Escritório.
Quais são os principais impactos da implementação da IA na qualidade e precisão do trabalho desenvolvido por um escritório de advocacia?
Eduardo Piñera (Autojur): O principal impacto da Inteligência Artificial (IA) reside na padronização e confiabilidade. A IA funciona como uma camada de controle que é essencial para prevenir falhas, garantir consistência nos processos e fornecer dados em tempo real para a tomada de decisões mais seguras. Dessa forma, a tecnologia eleva a qualidade e a precisão das informações, que são os pilares da inteligência embarcada em soluções como o Autojur.
Marcelo Rocha (Rocha Calderon):Sem dúvida alguma, o impacto mais forte é a confiabilidade do dado para tomada de decisão. Quando uma análise é feita por IA treinada com milhões de variáveis, reduzimos drasticamente a margem de erro humano e aumentamos a profundidade do raciocínio. O advogado deixa de gastar energia com o operacional e passa a pensar no que realmente move valor – estratégia jurídica, criatividade argumentativa e visão macro da causa. A IA não retira a responsabilidade intelectual do profissional. Ela o eleva, aumenta a régua. Eu recomendo que todos acompanhem e implementem, para não ficar para trás.
Além da eficiência interna, como a adoção da IA pode se traduzir em benefícios diretos e tangíveis para os clientes do escritório?
Eduardo Piñera (Autojur): A adoção da Inteligência Artificial (IA) beneficia diretamente os clientes com mais agilidade e redução de custos, visto que o trabalho é executado de forma mais rápida e eficiente. Além disso, a melhoria na qualidade do serviço por meio de análises mais precisas e estratégias mais robustas impacta em melhores resultados para os casos. Ao utilizar ferramentas inovadoras, o escritório Rocha Calderon se posiciona como um líder em modernidade, o que transmite ainda mais confiança e segurança aos seus clientes. O escritório consegue entregar respostas mais rápidas, relatórios precisos e um acompanhamento transparente, gerando um valor perceptível. O uso de plataformas inteligentes, como o Autojur, reflete um compromisso real com inovação e qualidade no atendimento ao cliente.
Marcelo Rocha (Rocha Calderon): Aí está o ponto central. Tecnologia só tem valor quando melhora a vida de quem está do outro lado da mesa – o cliente. E sim, Eduardo acerta ao dizer que IA entrega agilidade, redução de custos e relatórios mais sólidos. Mas do meu lado, como gestor, vejo algo ainda maior acontecendo: A IA está nos permitindo prever cenários – não apenas reagir. Com ferramentas como Autojur, conseguimos mapear riscos contratuais, probabilidade de êxito, comportamento jurisprudencial e até sugerir estratégias com maior assertividade. Isso transforma a experiência do cliente, que agora não recebe só a solução jurídica – recebe inteligência aplicada ao negócio. Ou seja, estamos migrando do escritório que resolve problemas para o escritório que antecipa problemas. E isso muda completamente o jogo.
Qual a sua visão sobre o futuro da interação entre a Inteligência Artificial e a prática jurídica nos próximos anos?
Eduardo Piñera (Autojur): Acredito que a Inteligência Artificial será uma parte natural e inseparável da prática jurídica, não para substituir, mas para potencializar a capacidade analítica e estratégica dos advogados. Nos próximos anos, veremos a IA se aprofundar em análise preditiva e automação de fluxos de trabalho, tornando os escritórios mais eficientes e competitivos. Nossa visão no Autojur é liderar essa transformação, fornecendo as ferramentas necessárias para que a tecnologia se torne o diferencial competitivo do profissional do direito. O futuro do Direito é colaborativo: advogados e tecnologia atuando juntos.
Marcelo Rocha (Rocha Calderon): Concordo com a fala do Eduardo: IA será parte orgânica da advocacia. Mas acredito que vai além. O futuro do advogado será híbrido –metade jurista, metade gestor de tecnologia jurídica. Visualizo em três etapas:
| ETAPA | O QUE VEM |
| 1. Presente | IA como automação e ganho operacional |
| 2. Curto prazo | IA como inteligência estratégica e tomada de decisão |
| 3. Futuro inevitável | IA generativa + IA cognitiva colaborando em tempo real com o advogado |
Chegará o momento em que o profissional terá ao lado não apenas um assistente tecnológico, mas um co-piloto jurídico completo, treinado no histórico do escritório, nas teses, na forma de escrever, nas convicções jurídicas. E quando esse momento chegar –e ele virá rápido –quem já estiver preparado irá liderar. O Rocha Calderon escolheu estar nesse grupo.