Fizemos uma entrevista com André Gutierres, fundador da BlueProjects – empresa especializada em inovação e tecnologia e que foi fundamental no início do processo de implantação de Inteligência Artificial no Rocha Calderon. Marcelo Rocha, sócio-fundador do escritório, participou da conversa e contou um pouco sobre a visão interna desse processo, que se iniciou muito antes do recente boom em torno de ferramentas como o ChatGPT.
Ambos os profissionais compartilharam suas perspectivas sobre como a tecnologia transformou a advocacia, desde os primeiros passos até os benefícios tangíveis conquistados. Leia a seguir:
Em 2018, antes mesmo do boom do ChatGPT, o escritório Rocha Calderon iniciou o processo de implantação de Inteligência Artificial. Poderiam nos contar sobre como essa jornada começou?
Marcelo Rocha: Eu sempre fui um entusiasta da tecnologia. Fui um dos primeiros usuários de Internet no Brasil, ainda em 1996, e desde então percebi que o Direito precisaria caminhar lado a lado com a inovação. Essa visão me levou a manter o escritório sempre atento às transformações digitais e, naturalmente, a Inteligência Artificial entrou nesse contexto. Firmamos o primeiro contrato com a BlueProjects em 2018, quando ainda poucos escritórios de advocacia falavam sobre IA. Na época, nosso objetivo era automatizar etapas repetitivas e aumentar a eficiência na análise de publicações e documentos jurídicos. Essa parceria mostrou-se visionária, pois na pandemia estávamos totalmente preparados para o trabalho remoto e já operando em um ambiente digital seguro e integrado.
André Gutierres: Nós começamos o processo de implantação de inteligência artificial bem antes de o ChatGPT e outras ferramentas atuais ganharem destaque. Na época, já utilizávamos algoritmos baseados em vetores de palavras e interpretação de texto. A ideia era automatizar a leitura de publicações jurídicas e direcionar, de forma mais precisa, quais prazos e ações deveriam ser tomadas a partir dessas informações. Ou seja, desde o início, o foco foi usar IA para transformar tarefas repetitivas e manuais em processos inteligentes e automatizados.
Quais foram as maiores dificuldades encontradas no início desse processo de implantação da IA no Rocha Calderon?
André Gutierres: A principal dificuldade foi montar uma base de dados consistente para treinar os algoritmos. As informações estavam totalmente descentralizadas – espalhadas em diversos robôs, que por sua vez capturavam dados de vários tribunais, cada um com seu próprio sistema. Então, o primeiro passo foi desenvolver robôs de captura de informação e consolidar tudo em uma base única. Além disso, o volume de dados jurídicos é enorme, e o desafio de estruturar tudo isso de forma organizada exigiu um grande esforço técnico e estratégico da equipe.
Marcelo Rocha: A meu ver, o principal desafio foi adaptar o modelo tradicional da advocacia a um ecossistema tecnológico em constante mudança. Era preciso organizar bases de dados, integrar informações e garantir segurança jurídica no tratamento dessas informações. A Blue Projects foi essencial nesse processo, desenvolvendo soluções sob medida e oferecendo suporte técnico contínuo. Graças a essa parceria, conseguimos superar as barreiras culturais e operacionais, estruturando um ambiente de dados confiável e escalável que hoje é o coração da nossa operação digital.
Para que a implantação da IA fosse bem-sucedida, mudanças culturais foram necessárias. Como o escritório trabalhou para que os advogados entendessem e adotassem essa nova abordagem?
André Gutierres: O escritório tinha uma cultura muito manual, com controles em planilhas e anotações individuais. Uma das principais mudanças foi centralizar todas as informações em um único ambiente de dados. Esse movimento cultural foi essencial para que os advogados percebessem o valor da tecnologia e confiassem no processo de automação. A partir daí, ficou claro que o objetivo não era substituir o trabalho humano, mas sim potencializá-lo – liberando tempo para análises mais estratégicas e qualificadas.
Marcelo Rocha: Desde o início, deixamos claro que a tecnologia não substituiria o trabalho humano, mas o potencializaria. Investimos em capacitação interna e aproximamos os advogados da tecnologia, mostrando que a IA é uma aliada estratégica, não uma ameaça. O escritório passou por uma transformação cultural profunda: saímos de uma estrutura muito manual, baseada em planilhas e controles individuais, para um ambiente colaborativo, automatizado e orientado por dados. Hoje, a equipe entende que o domínio das ferramentas tecnológicas é um diferencial competitivo e indispensável ao exercício moderno da advocacia.
Após a implantação, quais foram os primeiros benefícios tangíveis e concretos que a Inteligência Artificial trouxe para o Rocha Calderon?
André Gutierre: Com a base de dados consolidada e os algoritmos em funcionamento, os primeiros benefícios apareceram rapidamente: agilidade na identificação de prazos, redução de erros humanos e melhor organização das tarefas jurídicas. A inteligência artificial passou a oferecer insights práticos para a tomada de decisão e se tornou uma aliada direta dos advogados no dia a dia, permitindo que o escritório aumentasse sua eficiência e previsibilidade nos processos.
Marcelo Rocha: Os resultados vieram de forma rápida e concreta. A automação de tarefas rotineiras liberou nossos profissionais para análises mais qualificadas, enquanto os algoritmos de IA passaram a gerar insights estratégicos para decisões jurídicas e empresariais. Na prática, houve ganho de eficiência, previsibilidade e redução de erros. Além disso, a IA tornou-se uma verdadeira parceira dos advogados, auxiliando na identificação de riscos, prazos e oportunidades com precisão. Hoje, o Rocha Calderon Advogados Associados se posiciona em um novo patamar tecnológico – onde a inteligência artificial, aliada à experiência jurídica, amplia nossa capacidade de entregar soluções eficazes, seguras e inovadoras aos clientes.